As pessoas me perguntam: O que é T54? Porque aquele técnico tirou seu melhor jogador de quadra? Como pode pessoas sem braços competir com quem só tem lesão nos membros inferiores? Essas perguntas exigem explicações mais detalhas que muitas vezes as pessoas têm dificuldade para compreender. A participação da mídia nesse processo de transmissão de conhecimentos fundamentais para compreensão do esporte adaptado é determinante para o crescimento dessas modalidades.
Se não bastasse a complexidade do esporte adaptado, a imagem impactante de uma pessoa com deficiência física superando os limites que a sociedade instalou sobre ela, foi por muito tempo, evitada pela televisão brasileira. As pessoas com algum tipo de deficiência eram ignoradas pela sociedade. Os discursos carregados de preconceito e discriminação, faziam das pessoas com deficiência seres extraterrestres, ou seja, lançadas a própria sorte. No ano de 1980 a Rússia se recusou a realizar os Jogos Paralímpicos dizendo que naquele país não havia pessoas nessas condições. Segundo o ator Marcos Frota, a Rede Globo realizou uma pesquisa que apontavam que a maioria da população brasileira rejeitava assuntos relacionados a essa temática, até que a novela América em 2005, onde o referido ator fazia o personagem Jatobá (cego) mudou essa realidade. A partir de então, as pessoas com deficiência começaram a aparecer com mais freqüência, e as campanhas por igualdade e acessibilidade passaram a ser mais intensas.
No esporte paraolímpico não foi diferente. Os direitos de transmissão dos Jogos Olímpicos normalmente resultam em grandes investimentos financeiros entre as redes de televisão. O mesmo não ocorria com o esporte adaptado, basta dizer que nos Jogos Paralímpicos de Sydnei (2000) e Atenas (2004), os direitos de transmissão foram comprados pelo próprio Comitê Paralímpico Brasileiro e gratuitamente cedido para emissora que apresentasse a proposta mais interessante. Por outro lado, a falta de conhecimento dos narradores e comentaristas muitas vezes não possibilitou ao telespectador o entendimento da modalidade transmitida. No último mundial de paratletismo realizado em Julho, na França, os comentaristas da SPORTV 3 demonstraram estar muito mais preparados para falar e explicar o esporte adaptado para os telespectadores.
O excelente trabalho realizado pelo Comitê Organizador das Paralimpíadas de Pequim (2008), resultou na lotação dos espaços de competição, que foi surpreendentemente superado em Londres (2012). Tal acontecimento aumenta ainda mais a responsabilidade do Comitê Organizador do Rio 2016, assunto que será abordado no próximo texto.
Nenhum comentário:
Postar um comentário