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Bancos de Arremesso para Atletismo

A uns dias atras me pediram como que poderia ser feito um Banco de Arremesso para um atleta cadeirante que irá competir em provas de Atletismo. No primeiro momento, lembrei de minhas experiências com minha equipe, mesmo que muito limitado, entendi que poderia ser útil.

Vem se discutindo no cenário internacional uma possível padronização dos bancos de arremesso para atletas com deficiência física. Entendo que essa PADRONIZAÇÃO poderá comprometer o desempenho de muitos atletas. Vale destacar que cada atleta tem características específicas de sua lesão, e precisa desenvolver um banco de arremesso que vá de encontro com as suas necessidades. Quando maior o grau de movimentos preservados, mais o atleta precisa aproveitar o seu volume de ação. Para um melhor aproveitamento é necessário adaptar o banco a sua condição específica, pois alguns arremessam em pé no banco de arremesso, outros sentado sem encosto, outros com encosto e por ai vai... inúmeras variações.

O que penso que poderia ser possível seria uma BASE PADRÃO para um assento personalizado. Uma prova disso é o material que venho tentando produzir junto de meus atletas. Desenvolvi essa ideia como alternativa para não precisar ficar removendo as fitas e catracas para a troca de bancos. O processo para trocar os bancos no setor dos arremessos me fez criar essa ideia que ainda precisa ser aprimorada.

Pode-se perceber no centro da imagem, uma estrutura em forma de um cubo retangular, essa é a base dos bancos que possui 35cm de largura X 35cm de comprimento e com 50cm de altura. Nas laterais superior é colocado um espaço específico para prender os ganchos das fitas e catracas. Nessa base superior há um espaço com furos onde é fixado com rosca e "borboleta" o assento feito especificamente de acordo com as necessidades do atleta. Ao lado esquerdo da base há uma estrutura projetada para atletas da classe F57 e F58 pois fazem arremessos com um dos pés no chão. Ao lado direito da base há um modelo de banco utilizado para atletas com Tetraplegia (F51, F52 e F53) que além de necessitarem de apoio para os pés e encosto, necessitam de uma haste para segurar com a mão contrária.

Nesse modelo de banco é possível fazer uma troca de assentos (bancos) mais rápido do que de costume, e da mesma ainda apresentando uma maneira versátil para bancos de arremessos, principalmente para equipes pequenas, com pouco recurso. Quando o atleta atinge um determinado nível ele poderá desenvolver um banco ainda mais aprimorado, porém o transporte desses bancos inteiros (75cm de altura) é um pouco difícil em várias situações.

As deficiências e as classes

A modalidade de atletismo é uma das mais democráticas dentro do esporte adaptado, no que diz respeito as deficiências propriamente ditas. Nela encontramos pessoas com Paralisia Cerebral (PC), ou encefalopatia crônica não progressiva, lesados medulares, pessoas com histórico de Acidente Vascular Encefálico (AVE), cegos, pessoas com baixa visão ou ainda com deficiência intelectual.

O universo de deficiências incluídas nessa modalidade, exigiu da mesma uma subdivisão em categorias diversas, enquadrando pessoas que tenham condições semelhantes em um mesmo grupo. O sistema que determina essa divisão é conhecido por Classificação Funcional. No para-atletismo há várias classes que são divididas em grupos, sendo: Dos 10 (deficiência visual); dos 20 (deficiência intelectual), dos 30 (paralisados cerebral e outras patologias); dos 40 (amputados); e dos 50 (lesados medulares e pessoas que competem sentados). Para entender melhor, cada uma das classe, é necessário experiência no contato e muita atenção. A grosso modo, é possível apresentar o PERFIL das CLASSES, ou seja, característica dos que fazem parte de cada classe. Porém, como as deficiências não são todas iguais e bonitinhas, colocadas em caixinhas, um grupo de profissionais que podem ser da área Médica, Fisioterápica ou Educador Físico, formam uma banca de Classificação Funcional. esses estudam os resíduos musculares e condições ainda preservadas em cada atleta para incluí-lo no grupo (Classe) que mais se enquadra com sua condição. O que é mais difícil de ser entendido, é que os Classificadores Funcionais não utilizam critérios superficiais e ganhos referente ao treinamento. Ou seja, um atleta com pouco tempo de treinamento, pode apresentar dificuldades em alguns movimentos, porém essas não podem interferir na classe do atleta, uma vez que a Classificação Funcional avalia os Resíduos e aspectos Funcionais dos atletas, e não o nível ou qualidade do seu treinamento.

As avaliações mais contraditórias, costumam ser dos atletas com deficiência visual, difícil de serem mensuradas de forma mais concreta, e a deficiência intelectual, que também apresentam aspectos contraditórios. No caso das deficiências físicas, muitas vezes os atletas são orientados por seus técnicos para burlarem as avaliações dos classificadores, porém, se comprovado (o que não é difícil) o atleta poderá ser impedido de participar da competição por não colaborar com a banca de classificadores.

Abordei as deficiências e sistema de classificação funcional, de uma forma superficial, apenas para iniciar essa página. Ficarei a disposição para responder outros questionamentos, detalhando qualquer questão que se faça necessário. Com o tempo, estarei ainda abordando outras questões referente ao PARA-ATLETISMO, inclusive sugestões de treinamentos ou o que for-me questionado.

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