terça-feira, 3 de junho de 2014
Equipamentos de alta-performance nas corridas em cadeira de rodas
As cadeiras de rodas utilizadas pelos atletas dessas provas precisam ser sob medidas. O motivo dessa especificidade está no formato do equipamento, que por ser constituído duas rodas traseiras, onde é fixado o aro de propulsão (também chamado de volante) torna necessário uma precisão (em milímetros) da largura do acento. O tamanho do aro de propulsão costuma ser definido por dois fatores, o primeiro refere-se ao tipo de prova, onde atletas velocistas utilizam aros que variam de 14,5 a 15 polegadas e fundistas com aros de 13,5 a 14,5. O fator mais importante que define o tamanho do aro de propulsão é o tamanho do membro superior do atleta, que devido ao gesto técnico das corridas em cadeira de rodas, onde um braço pequeno exigirá aro de aproximadamente 13 polegadas, como é o caso da atleta brasileira Aline dos Santos Rocha, ou braços longos que exigirá aro de até 16 polegas, como é o caso do atleta brasileiro Ariosvaldo Fernandes da Silva. Outra característica bem particular nos equipamentos é o centro de gravidade, que é determinado pela posição do eixo das rodas traseiras, onde atletas com braços curtos utilizarão eixos mais a frente, tornando a dianteira da cadeira mais leve para a mudança de direção, ou com braços mais longos que utilizarão eixos mais a trás, e para evitar que a dianteira fique muito pesada, para mudanças de direção no tronco, é necessário outros ajuste como na altura dos joelhos e acento.
As rodas do tipo "Disco" ou "Estrela de 4 pontas" é muito comum entre atletas corredores em cadeira de rodas. Percebe-se que esse tipo de material só é utilizado em competições de ciclismo de alto-rendimento, principalmente as que acontecem em velódromo. Nas provas de corridas em cadeira de rodas esse material é muito comum e chega a ser utilizada por até 30% dos atletas e no caso de competições mundiais, pode-se afirmar que 95% dos atletas utilizam esse equipamento. Uma das justificativas é da busca pela alta-performance, pois as rodas raiadas desperdiçam energia aplicada no aro de propulsão. Outra justificativa é evitar lesões nas mãos quando o atleta, por ventura, erra o posicionamento do golpe aplicado no aro de propulsão fazendo com que a mão entre nos raios, resultando em situações indesejáveis a esses atletas.
Uma tecnologia recente entre os atletas brasileiros é a utilização de luvas de alta-performance. Atletas que encontram-se no período de iniciação a corridas em cadeira de rodas, normalmente utilizam luvas de lã com anti-aderente, couro (utilizado por metalúrgicos) ou de ciclistas, porém essas não auxiliam no ajuste correto da técnica correta para propulsão. Um ajuste usual é a utilização de esparadrapo para a correção da posição dos dedos. Atletas de velocidade, com experiência utilizam uma luva específica para corridas em cadeiras de roda, são feitas em couros e com estrutura em borracha que proporcionam um ajuste correto da posição dos dedos. Atletas de provas longas, e até mesmo alguns velocistas (como Tatiana McFadden e a ex-recordista mundial Petitcler Chantal) utilizam luvas de plástico com parte em borracha. Essas luvas são chamadas por alguns atletas como "empunhadura" ou simplesmente como "Luvas de aquaplás" é confeccionada com termoplástico (ou aquaplás), material utilizado para confecção de Órteses e Próteses para membros superiores ou inferiores. As luvas de aquaplás são confeccionadas artesanalmente, o material (do tipo granulado) é colocado em água fervente, ficando maleável e moldado na mão do próprio atleta. Depois que o material esfria, fica com um formato único, não sendo possível ser utilizado por outro atleta. Alguns atletas tem desenvolvido moldes em argila para confeccionar essas luvas, porém esses moldes só podem ser utilizados para definir o desenho externo da luva. Após concluída a confecção do material em aquaplás os atletas utilizam borracha lisa (lona interna de proteção dos pneus de caminhões) e colam no plástico utilizando cola de sapateiro, ou colas Bonder (super-bonder e similares).
Com a mudança das regras do IPC (Comitê Paralímpico Internacional) em 2013, tornando obrigatória a utilização de capacetes para TODAS as provas de corridas em cadeira de rodas, outro equipamento passou a ser utilizado com grande cuidado. Nos capacetes ainda podem ser escolhidos pelos atletas pelo peso ou simples conforto, porém na Europa e na América do Norte esse equipamento tem sido escolhido com mais cuidado, sobre tudo no aspecto aerodinâmico. Os capacetes mais utilizados pelos atletas tem sido os do tipo Skatista, ou os de ciclismo. Dentre os capacetes de ciclistas, os capacetes que estão sendo utilizado com maior frequência entre os corredores em cadeira de rodas são "Kask Bambino" e "Casco SPEEDtime".
Na imagem em destaque nessa postagem é possível ver a atleta Aline dos Santos Rocha utilizando uma cadeira de corridas fabricada pela INVACARE Top End na posição ajoelhada. O tamanho do membro superior faz Aline utilizar um aro de propulsão tamanho 13" em uma roda de Fibra de Carbono (disco) da marca Corima. Nas mãos, Aline Rocha utiliza luvas de aquaplás que foi moldada com argila. Para completar, Aline utiliza um capacete da marca Kask, modelo Bambino (ano 2014 - vermelho) sendo um exemplo da busca por equipamentos de alta-performance nas provas que envolvem corredores em cadeira de rodas.
segunda-feira, 13 de janeiro de 2014
Artigo sobre Corrida em Cadeira de Rodas (Traduzido)
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segunda-feira, 2 de setembro de 2013
Vida em Movimento
A realização dos Jogos Paralímpicos no Rio de Janeiro em 2016 é uma grande oportunidade para o Brasil, mas também um enorme desafio. Na última semana relatei sobre a dificuldade que o esporte adaptado teve para aparecer na televisão brasileira, mas fazer do paradesporto uma alternativa interessante de lazer, é mais do que um desejo, é uma questão de honra.
Em 2008, Pequim surpreendeu ao lotar os ginásios e praças esportivas, fazendo com que os atletas paralímpicos percebessem a importância que eles têm para o esporte. Londres foi ainda mais surpreendente. A realização de um cerimonial de abertura digno do berço do Esporte Adaptado, com diversas apresentações artísticas protagonizadas por pessoas com deficiência, calou todos os críticos. As últimas duas edições dos Jogos Paralímpico desafiam o Brasil a fazer algo ainda mais surpreendente.
Apesar de o Brasil ser considerado uma das maiores potências mundiais no paradesporto, a cultura do esporte adaptado no Brasil não condiz com os resultados conquistados. Nos EUA e Canadá, modalidades como Basquetebol em Cadeira de Rodas são transmitida ao vivo em canal aberto, fato que no Brasil parece apenas uma utopia. Em nosso país, as pessoas que ficam em uma condição de deficiência são submetidas a diversos tratamentos ilusórios que alimentam uma esperança de cura, arrancam o máximo de dinheiro possível de seus pacientes e comprometendo uma reabilitação eficiente preocupada com sua nova condição. Os programas de reabilitação em países como EUA, Canadá, Inglaterra e Austrália tem como carro chefe o ESPORTE, no Brasil ficam anos confinados, perdendo força muscular e comprometendo sua condição de saúde, surgem doenças cardíacas e circulatórias decorrentes da falta de atividade física. Talvez isso ocorra pelo fato das pessoas não serem direcionadas a esse tipo de atendimento, ou simplesmente por não conhecerem essa possibilidade.
Para superar a expectativa de público nos Jogos Paralímpicos do Rio 2016, o Brasil terá que investir ainda mais em programas de promoção do esporte adaptado, possibilitando que a grande massa entenda como essas modalidades funcionam e o quanto elas podem ser competitivas. O mesmo desafio que o Brasil enfrenta com relação aos Jogos Paralímpicos, as cidades de Joaçaba, Herval d’Oeste e Luzerna enfrentarão no mês de outubro desse ano, quando serão sede dos Jogos Abertos Paradesportivos de Santa Catarina – PARAJASC assunto da próxima semana.
