sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Vida em Movimento

Quanto mais, melhor

Uma iniciativa para equiparar as deficiências dentro do esporte adaptado revolucionou um sistema que até então era restritamente médico e impedia a participação de pessoas que não se enquadravam em um padrão de deficiência física. O professor Horst Stronkhendl fez do Basquetebol em Cadeira de Rodas a modalidade mais equilibrada em condições de competição e sua proposta passou a ser utilizada em outras modalidades paraolímpicas.

Com o modelo de Classificação Funcional implantado no Basquetebol em Cadeira de Rodas, pessoas com tetraplegia não apresentavam condições suficientes para participar da modalidade. O número cada vez mais crescente de pessoas com lesões medulares na região cervical, com comprometimento dos movimentos de mãos e até mesmo de parte do braço fez com que fosse criada uma adaptação a uma das modalidades mais difundidas no mundo, o Rugby. O Rugby em cadeira de rodas foi criado para atender as pessoas com lesões medulares que não conseguiam participar ativamente, de forma competitiva do Basquete em Cadeira de Rodas. Stronkhendl foi uma das pessoas que mais contribuiu para desenvolver um sistema de Classificação Funcional para essa modalidade que de modo geral atende pessoas com tetraplegia ou possui lesões que se equivalem a tetraplegia.

O modelo de divisão em grupos por graus de deficiência semelhantes ganhava cada vez mais prestigio e chamava a atenção dos profissionais que promoviam o esporte adaptado. Na modalidade de atletismo surgiam praticantes com todo tipo de patologia. A realização de competições dessa modalidade tornou-se cada vez mais difícil de serem realizadas. O princípio do Volume de Ação utilizado no Basquetebol em Cadeira de Rodas e Rugby em Cadeira de Rodas, se aplicado no atletismo, poderia reduzir significativamente o número de categorias, aumentando a competitividade e até mesmo equiparando de uma maneira mais coerente os diferentes tipos de deficiência. Para que isso fosse possível, foi estudado o movimento que cada prova exigia, e identificado a forma como que a lesão (deficiência) comprometia a execução desse movimento. O sistema também foi utilizado na natação, com o mesmo princípio. Atualmente, todas as modalidades de esporte adaptado possuem um sistema próprio de Classificação Funcional e o mesmo faz parte das próprias regras do paradesporto.

As competições de esporte adaptado vêm se tornando cada dia mais emocionantes e interessantes, mas a dificuldade em compreender as classes funcionais e o grande número de provas em modalidades individuais como Natação e Atletismo, fazem com que paradesporto a mídia, em especial a televisiva, tenha dificuldades para transmitir esses eventos. Na próxima semana abordarei a participação da mídia nos eventos paraolímpicos.

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