quarta-feira, 31 de julho de 2013

Vida em Movimento

Todos Jogam

No texto anterior falei sobre o surgimento do esporte adaptado, utilizado pelo Dr. Ludwig Guttmann como método de reabilitação para soltados feridos na Segunda Guerra Mundial. O desejo de incluir todos os níveis de lesões medulares resultou na criação de um sistema de divisão em categorias que mais tarde passou a ser chamado de Classificação Funcional.

O sistema de Classificação Funcional, foi criado pelo professor de Educação Física Horst Stronkhendl em sua tese de Doutorado no ano de 1984. Com o crescimento do esporte adaptado e a criação dos Jogos Paralímpicos de Verão, a partir de 1960 em Roma, entendeu-se que o esporte era uma importante ferramenta para reabilitação e reintegração social de pessoas com deficiência. Além dos soldados feridos na guerra, pessoas com distrofia muscular, seqüelas de poliomielite (paralisia infantil), amputações, esclerose, má formações também buscaram no esporte uma alternativa de sucesso. Contudo o sistema de divisão por grau e tipo de deficiência se mostrou insuficiente para atender o universo de patologias dos atletas que surgiam nas competições. Percebeu-se que era impossível realizar competições, pois haviam muitas categorias e poucos atletas para cada uma delas, fazendo dos eventos, grandes festivais, onde poucos, ou talvez, nenhum participante ficava sem medalhas. Por outro lado, realizar eventos desse tipo estava ficando muito difícil.

A modalidade de Basquetebol enfrentava outra polêmica, os Estados Unidos da America defendiam a participação de pessoas com amputações de perna, e os Britânicos não aceitavam essa condição, pois entendiam que o Basquete em Cadeira de Rodas deveria ser praticado apenas por paraplégicos. O professor Stronkhendl elaborou uma proposta que ao invés de dividir por grau de deficiência, dividia os atletas pelos VOLUME DE AÇÃO, ou seja, pela forma como os atletas conseguiam realizar os movimentos, gestos técnicos da modalidade. Nesse modelo, cada atleta recebia um número, chamado de Classificação Funcional. Atletas que, na ausência de contração dos músculos do abdômen, não conseguiam girar para os lados eram considerados os mais comprometidos e recebiam a classificação 01 (conhecido como PONTO 1,0). Atletas que possuíam melhores graus de mobilidade, principalmente com o tronco, recebiam números maiores, sendo que os cmenos comprometidos (amputados abaixo do joelho) recebiam o Classificação Máxima, (4,5). Para possibilitar a participação de todos em um único jogo, estabeleceu-se um número máximo de 14 pontos, ou seja, a soma das classificações funcionais dos 05 (cinco) jogadores em quadra, não podia ser superior a 14.

Mais tarde o sistema de Stronkhendl foi utilizado de forma oficial (1988) e o mesmo princípio passou a ser implantado em outras modalidades esportivas. Na próxima semana estarei falando sobre como foi utilizado o sistema de Classificação Funcional em outras modalidades.

Nenhum comentário:

Postar um comentário